Pelo quarto ano seguido, a emissão de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) no Brasil deve registrar queda, de acordo com a Reuters. O decréscimo na quantidade de motoristas habilitados anualmente já estaria preocupando o setor automotivo, uma vez que muitos dos novos habilitados partem direto para a aquisição de veículos, sejam novos ou usados. A emissão caiu 24,8% em 2018 contra 7% de 2017.

Segundo um levantamento, o volume anual caiu para 170 mil emissões de carteira entre 2014 e 2018, enquanto que há quatro anos, a média era de 250 mil carteiras emitidas. Segundo Flávia Consoni, professora e especialista em indústria automotiva, o motivo principal é uma mudança no hábito do brasileiro.

Consoni diz: “O brasileiro está começando a mudar o hábito de ver o carro como um bem durável e os aplicativos de mobilidade ajudaram muito. No geral, principalmente para o público mais jovem, o carro está começando a ser visto pelo serviço que ele oferece, não pelo que ele representa em status social e isso, com certeza, impacta no número de emissões de CNHs”.

Nos últimos anos, serviços como Uber, Cabify e 99 ganharam grande espaço no transporte de passageiros nos grandes centros. Porém, mesmo cidades de pequeno e médio porte também possuem serviços semelhantes. Mesmo o deslocamento entre cidades já possuem aplicativos dedicados, como o de carona Blá Blá Car, por exemplo. Outro semelhante é o recente Waze Car Pool.

A Anfavea, de olho nessa queda, encomendou uma pesquisa que revelou mudança nos hábitos da chamada geração Z, apontando que pessoas de até 25 anos passaram a utilizar mais os serviços de transporte público, como ônibus e metrô, bem como aplicativos de transporte e bicicletas, lembrando que neste último caso, a ampliação das ciclovias e apps de locação aumentou muito o número de ciclistas nas cidades.

Outro dado que contribui para a queda na emissão de CNH é o custo de obtenção do documento. No estado de São Paulo, o custo varia de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, sendo que o salário médio na região é de R$ 2,8 mil. O valor da CNH varia de acordo com a cidade.

Consoni diz: “Hoje é muito mais caro tirar carta do que era há 18 anos… Acho que o que está acontecendo é uma falta de interesse de quem compõe esse número e quem realmente precisa ficar atenta a isso é a indústria de veículos”. Ainda assim, em regiões menos favorecidas em termos de transporte público, houve um aumento na emissão de CNH, como é o caso do Acre com alta de 10%.

[Fonte: Reuters]